quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Profundo até a superfície

Assumo. Sou facilmente influenciado pela critica na hora de escolher o filme para ver, e como não havia como fugir de ir ao cinema, pois não agüentaria mais uma noite me encarando, me dirigi do escritório para o shopping, para ver qual filme? Acreditem, apesar de ter pensando nisso e planejado o horário e tudo mais, ainda na fila da compra dos bilhetes, me fiz essa pergunta. Já havia esquecido.
Pouco menos de uma hora antes estava a ler a critica e ver o trailer do filme indicado a 9 Oscars, e considerado o melhor filme produzido nos estados unidos em 2009.
Os críticos escreveram muito bem, o trailer não chega a empolgar, mais lembra outro filme de guerra onde o exército americano deve reagir acima de tudo.
Ok, assumo isso também, gosto de filmes de guerra, aliás, não apenas eu, já que a sala vazia ( acredito que haviam 30 pessoas para a seção) era em sua maioria masculina, relevando 2 ou 3 casais ali presentes, onde a acompanhante feminina provavelmente contrariada foi convencida diante de argumentos como “ 9 indicações” e “ é um filme profundo, não apenas de tiros e bombas” balbuciados pelos seus parceiros.
Eu vi “Platoon” várias vezes, mas prefiro “ Nascido para matar” de kubrick ( ele é genial ) , ainda escuto os gritos no rádio “ flecha quebrada” de “ Fomos Heróis “ com Mel Gibson, sempre me lembro do elenco e personagens intrigantes de “ Além da linha vermelha”, de tirar o fôlego, o conflito psicológico estranho e surreal de Marlon Brando e Martin Sheen em “ Apocalipse Now”, o Quentim Tarantino arrasou com “Bastardos e Inglórios” , fiquei fascinado por katyn, filme polonês sobre o massacre de poloneses na segunda guerra, e “Falsa com Bashir” animação espetacular sobre a guerra no líbano, e tenho para mim como a melhor série feita para TV ( esqueçam o interminável e chato LOST) “ band of brothers”, dirigida por Tom Hanks, nossa!!! Já a vi umas 5 vezes, mas se me convidarem para assisti-la novamente, eu levo a pipoca.
Sentado em minha poltrona esperei o filme com 9 indicações, " guerra ao terror", e posso dizer no final da seção que gostei mais do que não gostei.
Gostei do ponto de vista, que vem dos homens que trabalham com desarmamento de bombas em pleno Iraque, eles devem trabalhar bastante, afinal, existem muitas bombas por lá.
Gostei da fragilidade dos personagens, da psicologia da certeza que os soldados tem que vão morrer a qualquer momento, e isso é insignificante, já que o ambiente é tão hostil e desagradável a eles, gostei da forma que o diretor e o roteirista retratam o medo constante em que os soldados americanos se encontram no Iraque, e como seu medo se transforma em pânico quase todo o tempo, e imagine homens em pânico e armados, o que pode acontecer.
Você leu muitos “gostei” ], e gostei mesmo do filme...masssss... eles tinham que estragar. O Herói. O herói volta á tela. A principio transferido para substituir outro especialista em desarmamento que fora para o espaço em partículas bem pequenas, e não estamos falando da TV de “Fábrica de chocolate” , o protagonista chega com pinta de suicida, encarando coisas que todos temiam, e assim se deslancha durante o filme. Mas depois de um momento, ele vai se mostrando humano e até tenta achar os assassinos de um menino iraquiano que um dia jogou bola com ele e foi muito amigável, e novamente arbitrariamente como um herói se apresenta a favor de todos os valores humanos e de amizade, e depois de uma “burrada” ainda chora no chuveiro. Mas ele volta, volta para casa e depois ao Iraque novamente, pois não agüenta a serenidade da própria casa, e quer a adrenalina da coisa que sabe fazer melhor, desarmar bombas no Iraque, o que justifica o subtítulo do filme “a guerra é uma droga”. Então, como uma grande herói, deixa a família, que ,aliás, sua mulher é a atriz Evangeline Lily de LOST, em minusculae chata aparição é claro.
Claro, preferiria outra conclusão, outro final, outra forma que o filme me deixasse mais pensativo, mas intrigado. Mas é isso, só isso. O melhor filme dos EUA de 2009, concorrendo a 9 estatuetas , tenta ser profundo mais deixa ao final um ar superficial que lembra um “Rambo IX” em heroísmo ou performances dignas de charges como “ top gang” e o “ trovão tropical”. E se “a guerra é uma droga”, viciante e tenaz, como muitos pela adrenalina em esportes radicais, os diretor e roteirista deveriam ter experimentado algo mais forte para ver se “saiam da casinha” e quem sabe , um desfecho menos previsível.

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